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É verdade que o comunismo persegue as religiões?

É verdade que o comunismo persegue as religiões?

Após a revolução cubana, houve um período intenso em que buscou-se suprimir a religião com a instauração do que se chamou de um Estado ateu. Notadamente, nesse processo os cristãos e a Igreja Católica, por exemplo, sofreram forte repressão. É conhecido, inclusive, a relação que Frei Beto estabelece com Fidel e a tentativa do primeiro em transformar a Ilha num Estado laico ao invés de ateu.

Na antiga URSS as religiões sofreram igualmente a mão pesada do Estado. Houve um esforço no sentido de abolir a religião. Esforço inclusive mal entendido por muitos críticos da teoria revolucionária marxiana-engelsiana. Mas sobre isso falaremos um pouco mais adiante.

Na China atual, também nos chegam frequentemente notícias sobre líderes religiosos presos, o que confirmaria a terrível perseguição comunista às religiões. Por lá, a religião é prevista na constituição, é regulamentada e só pode funcionar segundo as normas estabelecidas pelo Estado Chinês.

Mas vamos lá! Se você tiver uma leitura mínima da teoria marxiana ou mesmo dos clássicos do marxismo, já pode notar que há algo de suspeito nessas acusações. Primeiro que, quando o “camarada” Frei Beto propõe a Fidel um Estado laico e não ateu, já não estamos mais falando de comunismo. Comunismo e Estado só combinam na mesma frase se se quiser expressar o fim do último pelo primeiro.

Ou seja, não há que se falar em perseguição comunista cubana contra as religiões se lá não existiu comunismo. Houve sim, como sabemos, uma tentativa de se iniciar alguma transição, e nada além disso. Inclusive, como muito bem elencou Mário Maestri em seu livro revolução e contra-revolução no Brasil, a revolução cubana sequer tinha originalmente relação com comunismo ou marxismo.

De igual modo, a China passa anos luz de distância de qualquer coisa parecida com comunismo. Por mais que a mídia hegemônica e dominantemente burguesa queira aparentar, não há nenhum elemento teórico ou prático que sustente a afirmação de que a China é comunista. Pode-se chamá-la de Estado autoritário, de ditadura etc, só não é comunista. Não existe Estado comunista. Ponto.

Mas é compreensivo que a regulamentação estatal da religião na China incomode tanto certos líderes religiosos aqui no Brasil. Por lá, não se é permitido sair pelas ruas ou em qualquer outro local tirando o sossego dos outros, importunando as pessoas com pregações religiosas. Quem quer manifestar sua religiosidade, orar, louvar, rezar etc, faz em casa ou nos locais apropriados para os cultos.

Dito isso, precisamos pontuar sobre o mal entendido que mencionamos acima. Para os críticos mais rasos, a teoria marxiana e consequentemente o comunismo é diametralmente oposto à religião. Logo, qualquer país por eles chamados de comunista teria a missão de eliminar a religião.

Contrário à isso, quem tem uma leitura mínima mas séria dos escritos marxianos-engelsianos, sabe que em lugar nenhum lugar dessa teoria foi proposto a perseguição da religião. Isso é fato. O que encontramos na obra dos fundadores do socialismo científico é que a religião é um produto das relações de classes. A necessidade religiosa emerge de situações reais humanamente degradantes impostas pela divisão de classes e agudizada o extremo pelo capital.

Extinguindo-se essa situação de miséria que demanda a necessidade religiosa, um ópio do povo, a própria necessidade religiosa se extinguiria. Ao menos como a conhecemos. Então não se trata de uma imposição, do fechamento forçado de igrejas e de perseguição e prisão de religiosos, ao contrário, a superação do modelo de sociedade baseado na exploração e que é pano de fundo para todas as misérias sociais conduziria a um enfraquecimento paulatino e contraditório da necessidade religiosa.

Se observarmos, veremos inclusive que a religião é uma reprodução da sociedade. Para os religiosos, sobretudo cristãos, há um deus todo poderoso, que tudo pode e que determina toda a existência. À este ser, devemos ser obedientes, temerosos e, apesar de ele supostamente nos amar, irá nos torturar, nos queimar no fogo eterno. Se olharmos bem, resguardadas as devidas diferenças, isso muito se parece com a classe dominante em relação aos trabalhadores. À eles e aos seus representantes, como o Estado e os patrões, os trabalhadores devem total obediência e temor, ao mesmo tempo que eles nos dizem que tudo o que fazem é para o nosso bem. Quem ousa contrariar o Estado sabe muito bem o que acontece.

Então, a religião e a necessidade religiosa é consequência das relações sociais de exploração de uma classe sobre outra. O comunismo não persegue cristão ou qualquer religioso que seja, e não, Cuba, China, URSS não são exemplos de perseguição comunista às igrejas pois estes e outros Estados sequer chegaram ou chegam próximo do que seria o comunismo.

Da próxima vez que lhe contarem que o comunismo persegue religiões, espero que estas breves linhas ajude pelo menos a gerar uma suspeita de que seu interlocutor pode está imensamente equivocado; pode ser ignorante com relação a história do movimento comunista e a teoria revolucionária (o que é menos pior) ou, estar agindo por mau caratismo mesmo.

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