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Capistrano: conhecemos pouco ou quase nada sobre nossa história

Capistrano: conhecemos pouco ou quase nada sobre nossa história

Tudo bem, é carnaval. Uma das datas mais esperadas por boa parte dos brasileiros e, não é diferente em Capistrano. Mas não é sobre essa festa tradicional que quero falar. Correndo o risco de ser chato, pretendo tratar de como somos tão ignorantes sobre a história do nosso próprio “torrão natal”.

Nossas escolas, e isso vale para a maioria dos municípios do entorno, não nos ensinam sobre nossa terra natal, pelo menos não efetivamente. Mas que culpa teriam os estabelecimentos de ensino? Bom, nenhuma. Isso pelo fato de que a estruturação de uma componente curricular que pudesse preencher essa lacuna, como se sabe, não compete especificamente a instituição de ensino em sua particularidade.

Ou seja, a resolução do problema passa pela política de educação do município. E nesse sentido fica o questionamento: o que tem sido feito enquanto política municipal para que a história do município seja parte integrante do currículo de nossas escolas?

Tenho certeza que tal questionamento não é uma novidade. Da mesma forma, seria uma grande mentira afirmar aqui que não houveram tentativas passadas, esforços ainda que esporádicos para proporcionar um ensino efetivo da história local. Mas tais tentativas, se não assumidas como compromisso municipal e parte de uma proposta de educação do município, tendem a definharem ainda no campo das ideias.

A título de memória, lembremos que o professor Arthur Pinheiro já produziu algumas páginas sobre a história de Capistrano. Assim como eles, outros capistranenses também já se empenharam em tal empresa, seja com propostas de livros ou em artigos acadêmicos. Mas como dito antes: sem que isso seja tomado como parte de uma política municipal de incentivo à preservação, memória e ensino da história de Capistrano, segue apenas como esforço individual. De grande valia, mas ainda individual. Não chega para todos, não faz parte da educaçao escolar do município.

Como mudar essa realidade?

Enquanto sistema de ensino, ou seja, dispondo de esfera executiva e normativa, o município pode (e tem autonomia para isso) implementar uma componente de ensino de história do município. Tanto o lado executivo pode provocar a parte normativa do sistema, como o oposto: quem executa a política de educação municipal ser provocado, instigado pelo lado normativo para a construção de uma componente de História de Capistrano.

Não digo que seja fácil nem simples. Mas é plenamente possível.

Todavia, isso pode ser pensado como política de gestão ou de governo, e sim como política de Estado, de município. Um projeto dessa magnitude e importância jamais poderá obter sucesso se for concebido como moeda de troca política, como vaidade do gestor municipal ou como qualquer outra mesquinharia do tipo. Só poderá prosperar se desde sua gênese for tratado como algo maior que a própria política municipal, como algo impossível de ser reduzido a qualquer figura política, algo totalmente impessoal. Ou seja, como algo pensado para a educação das futuras gerações, para o conhecimento mais elevado sobre nossas raízes e a história que nos trouxe até o momento presente. Uma contribuição para a ciência.

Na prática, isso exigiria a formação de uma equipe de pesquisadores locais, financiados pelo governo municipal, por exemplo: historiadores, geógrafos, pedagogos, letristas etc. Essa equipe deveria dedicar-se exclusivamente na elaboração e execução de um projeto voltado para a pesquisa, catalogação, análise e exposição e adequação didática do material a ser utilizado em todo o ensino fundamental do município. Um projeto longo mas que, contasse com previsão de término e a instauração de equipe revisora/atualizadora ao longo dos anos.

Os maiores obstáculos

Uma equipe para desenvolver tal projeto deve, prioritariamente, pertencer ao quadro do magistério local. Como seriam liberados para a execução do projeto, caberia ao município suprir a carga horária destes profissionais nas escolas com novas contratações. O gargalo aqui seria justamente envolver as finanças municipais.

Fato é que, de outra maneira um projeto dessa monta não caminharia. É impensável querer exigir de um profissional docente do município que ele contribua com a pesquisa e produção de material didático estando com 100 ou 200 horas em sala de aula. Nem mesmo a redução parcial funcionaria. Portanto, requer investimento.

Assim, sem o empenho, o compromisso e a adesão do gestor municipal, que lhe fará buscar meios de financeiramente tornar o projeto viável, este jamais passará de uma ideia apenas.

Apesar disso, sabemos que é possível e necessário.

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