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Nota de estudo nº 2: o ser como complexo

Nota de estudo nº 2: o ser como complexo

Para expor as categorias específicas do ser social – ou seja, aquelas que existem plenamente desenvolvidas apenas no ser social –, sua gênese nas esferas anteriores, sua combinabilidade com elas, a intrelaçabilidade e fundabilidade nelas, deve-se iniciar pela análise do trabalho.

Todo nível de ser – incluindo o ser social mencionado acima –, seja no todo ou em partes, constitui-se como um complexo. Um olhar superficial sobre o ser social já mostra a entrelaçabilidade, ou seja, a não desvinculação das categorias como trabalho, linguagem etc. Assim, nenhuma dessas categorias podem ser compreendidas isoladamente.

Para solucionar esta questão, qual seja, da exposição das categorias específicas do ser social, é preciso recorrer ao método de Marx (o método das duas vias). Isso quer dizer que deve proceder a uma decomposição abstrato-analítica das novas categorias e novos complexos ontológicos para, uma vez de posse dessa base, fazer o caminho inverso até o ser social. Isto é, recompor na sua totalidade real e não tomando-o apenas meramente como um dado isolado.

As categorias específicas da nova esfera, no caso a esfera do ser social, alcançam um domínio sobre as categorias inferiores: orgânica e inorgânica. Estas são as categorias e níveis de ser que recebem a nova esfera de ser e suas categorias específicas. Esse processo é o que Lukács chama no parágrafo anterior de “via da evolução”.

Todavia, a transição de uma esfera para outra, especificamente a do orgânico ao social, não pode ser recriada experimentalmente. Isto se deve ao caráter radicalmente histórico do salto (transição de uma esfera de ser à outra), seu aqui/agora de etapas específicas não podem ser experimentalmente recriado. Apenas intelectualmente, partindo do mais elevado tido de ser, é possível “recriar” por meio do método marxiano. O salto continua sendo um salto.

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