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Psicogênese da língua escrita

Psicogênese da língua escrita

No que diz respeito a aquisição da escrita, a Psicogênese da Língua Escrita, teoria elaborada por Emília Ferreiro e Ana Teberosky a partir dos estudos de Jean Piaget, revolucionou o modo como compreendemos o processo de desenvolvimento da leitura e da escrita pelas crianças. Diferente de explicar alfabetização como simples “decodificação de letras”, a Psicogênese da Língua Escrita mostra que as crianças constroem hipóteses sobre a escrita de forma ativa e progressiva, e que essas hipóteses refletem suas ideias sobre o sistema de escrita.

Nesse sentido, a Psicogênese entende que a criança é protagonista em seu processo de alfabetização, elaborando hipóteses próprias sobre como funciona a escrita. Com base nos estudos de Ana Teberosky e Emília Ferreiro, sabemos também que as crianças adquirem a leitura e a escrita de forma progressiva e construtiva, e não apenas pela imitação como se supunha no passado.

Para a Psicogênese, os erros que as crianças cometem quando estão aprendendo a ler e escrever constituem-se como uma verdadeira mina de ouro pedagógica. Eles são indicativos de quais hipóteses elas têm sobre o funcionamento do sistema de escrita e em que estágio de aquisição da escrita/leitura elas estão. A partir disso, o professor alfabetizador pode traçar com maior precisão suas intervenções. A teoria de Ana Teberosky e Emília Ferreiro identificam algumas fases pelas quais acontece o processo de aquisição da leitura e escrita, conforme veremos abaixo.

Fase 1 – Pré-silábica (ou icônica)

A principal característica desta fase são os desenhos e marcas aleatórias que a criança faz, sem associação com os sons das palavras. Ou seja, não há correspondência entre som e símbolo, assim como não há tentativa de representação consciente de sons por meio de letras. Para a criança nessa etapa as letras seriam como meros traços ou imagens.

Fase 2 – Silábico

Essa é a fase em que a criança começa a associar sílabas (unidades sonoras) com escritas isoladas. Essa etapa pode ainda ser dividida em duas: a) Silábica sem valor sonoro. Quando a criança escreve letras que não têm correspondência com o som da sílaba, por exemplo: escreve P T para SAPATO. b) Silábica com valor sonoro. Quando a criança escreve letras que têm o som da sílaba, por exemplo: A O para SAPATO.

Fase 3 – Silábico-alfabético

Aqui a criança começa a perceber que cada sílaba, cada unidade sonora é constituída por mais de uma letra, e que a escrita representa os sons da fala, procurando combinar letras para formar essas unidades sonoras. Nessa etapa, a criança pode escrever parte da palavra com uma letra por sílaba e outra parte com uma letra por som, o que chamamos de representação híbrida.

Fase 4 – Alfabético

Finalmente, nessa etapa existe maior consistência na correspondência entre grafema e fonema, o que significa que a criança já consegue escrever perfeitamente muitas palavras. Além disso, nesse momento do processo de aquisição da escrita e leitura, a criança já ler pequenos textos e tem, ainda que de forma bem básica, consciência sobre algumas regras da escrita. Daqui em diante, é fundamental a consolidação desse domínio alcançado. Ou seja, deve-se proporcionar para a criança um ambiente favorável para que ela possa colocar em prática aquela habilidade fenomenal que ela recém adquiriu. O estímulo nessa etapa é muito importante, principalmente de modo que a criança possa se aventurar no novo mudo da leitura e escrita sem medo de errar ou acertar. Lembremos: aquisição da leitura e da escrita é um processo.

Na escola, cabe aos professores dominar os conhecimentos relativos a esse processo, para que possa sempre intervir positivamente, sabendo reconhecer cada momento do processo e desenvolvendo atividades pedagógicas adequadas para cada etapa.

Já do lado dos pais, cabe oportunizar que a criança vivencie a mágica da leitura e da escrita, oferecendo-lhe materiais apropriados em casa e uma rotina que favoreça a consolidação desse aprendizado.

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