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Trabalho, religião e ciência

Trabalho, religião e ciência

O trabalho é, como muito bem explica o húngaro Lukács, o ponto médio entre o indivíduo, o sujeito e a natureza, bem como a sociedade. É ele que possibilita o salto ontológico, que leva da hominização à humanização, mas, além disso e em paralelo a isso, é através do trabalho que se desenvolve a ciência e a religião.

Mediante o enfrentamento da natureza, numa situação ainda primitiva de desenvolvimento da humanidade e muitíssimo limitado conhecimento do homem sobre seu entorno, prevalecia uma tendência personificadora da natureza. Essa tendência é constatada em várias sociedades em todo o planeta.

Essa personificação leva à criação de deuses e posteriormente ao que conhecemos hoje por religião. Ao mesmo tempo, nesse enfrentamento da natureza, ou seja, no processo de trabalho, há uma tendência em desenvolver um pensamento mais científico sobre a realidade, de conhecê-la de forma mais desantropomórfica.

As duas tendências presentes no trabalho por muito tempo permanecem imbricadas, apenas na Grécia Antiga o pensamento mais científico inicia um processo de desligamento, de separação em relação a tendência personificadora. Apenas nesse contexto, por diversos fatores específicos daquela sociedade, o reflexo científico da realidade alcança um elevado grau de independência e sofisticação ao ponto de dispor também pela primeira de uma metodologia própria.

Um dos elementos fundamentais para que o reflexo científico da realidade se generalize e se torne um modo de comportamento na sociedade, reverberando no cotidiano dos indivíduos, é exatamente o desenvolvimento de um método específico. Sem isso, todo o conhecimento, ainda que de caráter desantropomórfico, tende a diluir-se, misturar-se com outras formas de reflexo da realidade e inclusive sendo apropriado indevidamente pelo reflexo religioso.

Isso impede o correto desenvolvimento do reflexo científico, sua generalização, sua aplicação correta na realidade e seu aperfeiçoamento. É importante ressaltar que apesar do conhecimento científico iniciar propriamente seu desligamento do reflexo religioso na Grécia Antiga, é possível verificar vários momentos, inclusive mais recentemente, em que por dentro do próprio reflexo científico da realidade surgem processos antropomórficos.

Para saber mais sobre isso, leia a Estética de Lukács.

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