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O trabalho e a gênese da ciência

O trabalho e a gênese da ciência

Vivemos, não sem contradições, em um mundo dominado pelo reflexo científico. O mais fervoroso pastor, padre ou qualquer outro religioso, não viveria hoje sem recorrer diariamente aos avanços da ciência. Mas qual a origem ontológica da ciência? é o que vamos discutir nesse post.

Para Lukács o reflexo científico do mundo, ou seja, uma leitura de mundo mais imanente ou que tende a uma sempre crescente imanência, surge no trabalho. Este, vale dizer, entendido a partir de sua elaboração marxiana. Dito de outro modo, como intercâmbio consciente entre humanidade e natureza que modifica tanto a natureza quando a humanidade.

Nesse processo de trabalho, como sabemos, opera a teleologia, pressupondo também momentos distintos: a posição de finalidade, a pesquisa dos meios e a realização daquela posição inicial.

É justamente na pesquisa pelos meios que Lukács pontua a ligação entre trabalho e ciência. Já na Estética, o marxista húngaro afirma que no simples processo de escolher entre um ou outro galho, uma ou outra pedra pelos nossos mais primitivos antepassados, já reside alí o germe da ciência.

Em sua Ontologia, Lukács complementa brilhantemente esse raciocínio sinalizando que na busca pelos meios está pressuposto, ainda que de forma muito incipiente um certo domínio da realidade. E mais, nesse mesmo movimento de escolha entre alternativas possíveis para a realização da posição de finalidade, surge legalidades gerais e abstrações para além do imediatamente desejado.

Isso significa que mesmo a pesquisa pelos meios parta de necessidades práticas, mais imediatas (como a de sobrevivência dos humanos mais primitivos), de respostas para situações do cotidiano, há uma tendência de sempre ir além. Ou seja, na busca de meios para atender a uma posição de finalidade num processo de trabalho que visa dar uma resposta para uma necessidade imediata, como abater um animal para se alimentar, surgem abstrações e legalidades para além dessa resposta imediata.

Didaticamente, poderíamos dizer que desse processo surgem conhecimentos que vão além daquela necessidade que o impulsionou.

Precisamente por essa característica e por pressupor o esforço na compreensão da realidade com uma tendência sempre mais imanente, é que a gênese da ciência situa-se, ontologicamente no processo de trabalho, e de modo mais específico: na pesquisa dos meios.

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