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O FIPED, a Universidade e o momento contra-revolucionário que vivemos

O FIPED, a Universidade e o momento contra-revolucionário que vivemos

Aos 30 dias do mês de maio recém findado, encerrava-se em Quixadá-Ce a décima sexta edição do Forúm Internacional de Pedagogia, o FIPED. Além de ser uma oportunidade significante para troca de experiências em pesquisas, sobretudo entre estudantes e professores da graduação, o FIPED nos serve também como um “termômetro” de como andam as Universidades e os eventos acadêmicos nos últimos tempos.

Vejamos. Assim como outros eventos acadêmicos, o FIPED, desde sua primeira edição em 2008, vem acentuando o caráter contra-revolucionário da universidade. Apesar de políticos medíocres tentarem enganar seus eleitores alegando que a universidade está repleta de “esquerdistas”, de marxistas etc, não é bem isso que vemos em eventos como o FIPED.

Nessa última edição, por exemplo, não é possível localizar em nenhuma das atividades uma menção sequer a luta de classes. Revolução socialista então, passou muito longe da programação do FIPED. O mais próximo que chega de Marx é, aparentemente, um GT que tratava sobre a pesquisa sobre marxismo na graduação. Nem mesmo a Pedagogia Histórico-Crítica, mais preferida daqueles que precisam de “algo prático a se fazer agora na sala de aula”, nem mesmo esta aparece nos temas dos GT’s, minicursos ou oficinas. Que dirá então atividades educativas emancipadoras, do prof. Ivo Tonet.

O que diz esse termômentro? que leitura podemos fazer a partir dele? Ora! algo que nós camaradas já sabemos faz bastante tempo: cada vez mais a universidade e seus eventos acadêmicos (como o FIPED) se afastam de qualquer crítica radical ao capital e ao Estado. Um olhar panorâmico nos temas de GT’s, oficinas e palestras do FIPED, mostra, isso sim, um consolidado alinhamento com a defesa das políticas públicas que, no fim das contas, nada mais é que a defesa do próprio capital.

Como se já não bastasse isso, percebe-se nos temas das atividades do FIPED a famosa bricolagem de teorias, a colcha de retalho de métodos e concepções de educação que, muitas das vezes, se analisadas rigorosamente, sequer dialogam entre si. Vê-se de tudo nesses eventos e na universidade, menos a defesa radical da superação do capital. Vale tudo, menos criticar o modelo societário vigente.

O FIPED, assim como outros eventos semelhantes, é expressão clara do domínio ideológico do capital, do quanto a universidade se põe no sentido contrário aos interesses de trabalhadores e trabalhadoras. Nesses espaços, falar de luta de classes parece algo… errado. Certo é, louvar as políticas públicas ou, debater questões muito específicas que em nada contribuem para a verdadeira transformação na sociedade.

Muitas das pesquisas que circulam nesses espaços também corroboram na mesma direção. Amparadas em bases idealisas e/ou gnosiológicas, limitam-se a superfície da realidade. São relatos, vivências, o que fulano ou beltrano disse ou pensou sobre algo, dificilmente busca-se a imanência do objeto. Esse fenômeno, como sabemos, é bem típico da chamada “pós-modernidade”: o mundo é o que pensamos que ele é, ou o que queremos que ele seja. A legalidade própria do real, sua imanência que independe do nosso pensamento e da nossa vontade, isso é totalmente abandonado.

O maior problema disso tudo é que, ao se afundarem por esse caminho, estão ao mesmo tempo indo na contra-mão da luta de classes, indo no sentido contrário ao interesse ontológico da classe trabalhadora que é a superação do capital, o suplantar do estado e das próprias classes sociais antagônicas.

Nesse sentido, cabe-nos perguntar: até que ponto o FIPED contribui efetivamente com a “emancipação” da classe trabalhadora? E uma outra pergunta nos vem: até que ponto nos é possível se apropriar do FIPED para que este constitua-se minimanente como um espaço a serviço da classe trabalhadora?

Pessoalmente, a resposta para as duas questões é um simples não! E problema, vale dizer, não é o FIPED. Esse é só um sintoma dos nossos tempos, a expressão da tendência predominante contra-revolucionária da universidade.

Dito isso, para todos os estudantes e professores que participaram do FIPED 2026, minhas felicitações.

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