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Por que a nossa educação é tão ruim?

Por que a nossa educação é tão ruim?

Pare para pensar um pouco. Por que a educação pública é ruim? Qualquer pessoa hoje com seus trinta anos recorda que, também, as escolas nas quais estudou eram precárias. Se perguntarmos para outra geração ainda mais velha, a resposta será a mesma: as escolas eram ruins.

Na verdade, se considerarmos desde a época em que os jesuítas desembarcaram por aqui com seu Ratio Studiorum, a educação já era ruim. Ela serviu basicamente para catequizar e demonizar a vida dos povos originários. Em resumo, nunca tivemos uma educação e uma escola realmente de qualidade.

Hoje, passado tantos anos após a consolidação da educação pública no Brasil, o que vemos é uma educação que mal consegue alfabetizar. Adolescentes saindo do ensino médio e entrando na faculdade com deficiências seríssimas de leitura e interpretação de texto, sem falar em outras áreas como a matemática.

Passado séculos, quando olhamos para nossas escolas o que salta aos olhos são paredes que ameaçam cair. Salas de aulas sem piso, telhado com goteiras, instalações elétricas ultrapassadas. Uma estrutura que assusta os alunos ao invés de atraí-los. As paredes velhas são cobertas de rachaduras e dezenas de camadas de tintas de baixa qualidade que, quando são aplicadas, os gestores municipais chamam de reforma.

Após tanto tempo, não existe o mínimo de recursos necessários para que os professores possam desenvolver com dignidade a docência para a qual se prepararam. Quando querem realizar uma aula mais atrativa, para tentar prender um pouco mais a atenção do aluno naquele ambiente insalubre, os professores precisam tirar de seus próprios bolsos para fazer acontecer.

Por que não mudou nada? qual o problema? seriam os profissionais docentes? ou os gestores das escolas? Se há uma classe de profissionais que se doam diariamente, são os professores. Se doam tanto e em tão péssimas condições de trabalho que quase 70% dos docentes brasileiros estão adoecidos mentalmente, sofrem com ansiedade e/ou depressão.

Assim como os docentes, os gestores escolares estão no limite! tendo que lidar juntamente com seus professores com pressão constante por resultados. Estes, muitas vezes, inatingíveis frente a realidade da escola.

Então, de uma coisa temos certeza, não são estes profissionais os culpados pela educação sempre ter sido e ainda continuar sendo tão ruim, tão precária. E, definitivamente, também não se trata de falta de competência técnica por parte destes.

Ora! se a educação sempre foi precária, de baixa qualidade, se nossos profissionais do magistério são competentes no desempenho de suas funções… a pergunta continua: por que a nossa educação é tão ruim?

E aqui vem um pensamento: será que ela já não foi pensada para ser ruim? para ser sempre de baixa qualidade, sempre precária? Vejamos.

Quando é que a escola pública se populariza do Brasil e para quem ela se populariza? Se pensarmos um pouco, logo lembramos: a escola como a conhecemos aqui no Brasil surge no contexto de industrialização do país, quando surgiam as primeiras indústrias. E quem trabalhava nessa industria, definitivamente, não eram os grande latifundiários, não eram os filhos dos grandes sobrenomes. Eram pobres e em sua maioria, não-brancos.

Pense: era necessário assegurar uma formação de alto nível para pobres que iriam trabalhar em jornadas de trabalho desumanas dentro de fábricas? Óbvio que não. Para estes, a mais rudimentar instrução, aquela que garantisse apenas que ele desempenhasse sua função dentro da linha de produção, já era mais que suficiente.

Mas consideremos a questão mais nos tempos atuais. Quem vai para escola municipal lá naquele bairro ou naquela zona rural da cidade? são os filhos dos Ferreira Gomes? dos Magalhães? dos Sarney? ou dos M. Dias Branco? dos Jereissati? A resposta é óbvia novamente: Não.

Quem frequenta essa escola que, literalmente está caindo aos pedaços, são os filhos e filhas dos trabalhadores e trabalhadoras dos dias atuais. E quem pensa a educação dessa população, não são eles, são as elites políticas e econômicas (que são a mesma coisa na maioria das vezes). Não é de interesse dessas elites fomentar instrução de qualidade, uma escola de qualidade, pois a classe trabalhadora não passa de mão de obra.

Na verdade, num mundo onde o desemprego é uma ameaça constante, até mesmo na função de formadora de mão de obra barata para fazer funcionar a roda do mercado a educação atual está falhando.

Bem, se quem pensa a educação, quem executa a educação enquanto política, não têm interesse nenhum de que a educação seja minimamente de qualidade, só podemos deduzir que a má qualidade da educação, da escola, é algo intencional.

Sim, a educação ser como é, precária, adoecedora… ruim, não é um acidente. Pelo contrário, é exatamente como ela deve ser, ela é pensada para ser assim. Quando isso estiver suficientemente compreendido pelos professores, conseguiremos avançar no debate e, deixaremos de caminhar em círculo discutindo questões irrelevantes. Estas que nos são jogadas por SME’s, CREDE’s e Secretaria Estadual de Educação.

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